Como é ruim sentir dor, trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, pedra no rim a essa eu sei como dói. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de uma praia da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que só vive viajando e nós nem conseguimos nos ver. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos, do gosto da sua boca. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o trabalho e ele para a recém faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi à consulta com o urologista como prometeu. Não saber se ele tem comido biscoito tortinha, se ela tem ido a academia, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a dirigir, se ele continua odiando cigarro, se ela continua preferindo fanta uva, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando e ouvindo o rappa, se ele continua tocando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra a quatro anos, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Seguidores
Arquivo do blog
Quem sou eu
- mon vie
- Carioca, escorpiana de 29.10.93, acredito em gnomos, espero disco-voadores para breve... sou lunatica demais. Gosto de contos, historias em quadrinhos e pocket-books. Não tenho muita coisa interessante para contar a não ser que meu gosto para ler e de escrever se mistura: são uma coisa só.
Caramba Hayra... Assim você acaba me deixando deprimido! =S
ResponderExcluirMuito foda, hein!
amei, amei, amei...
áh.. e muda o blog denovo... prefiro como estava antes ;D
Bjsx.!